Eu não tenho nenhum amigo

EU VEJO GENTE MORTA

2020.11.29 04:38 lucius1309 EU VEJO GENTE MORTA

Eu recém completara 21 anos de idade e já estava macambúzio a beça com tudo que vinha acontecendo na minha vida. Acordava pelas manhãs e pensava que não passava de um injustiçado, um maldito entre outros milhões de malditos, primeiro por ter nascido num país de merda como o Bostil, com belezas naturais e recursos de sobra mas com pessoas lixo a frente da porra toda, o que havia tornado nosso país o país do "jeitinho", onde se tem manobra até pra tomar refrigerante grátis de uma máquina. Além do mais, eu, no auge da minha arrogância achava que eu era demais pra uma sociedade de menos, achava que eu tinha que estar ganhando muito dinheiro e comendo as melhores bucetas da cidade, coisa que são poucos que de fato conseguem, muitos por mérito próprio mas a maioria por sorte (ou herança).
Depois de uns meses desempregado, correndo pra cima e pra baixo tentando arrumar um trampo na minha área de formação, resolvi abdicar de quatro anos de faculdade e comecei um emprego numa empresa de telemarketing. Era um emprego honesto, registrado, com horários de descanso, folgas e benefícios, mas eu achava um saco. O bom era o horário. Entrava às 17h30 e saia às 23h50, sendo assim eu evitava pegar trem e metrô em horário de pico, fora que podia acordar tarde todos os dias e não precisava ter um compromisso muito rígido com horário. As ligações também eram poucas após o horário comercial, sendo assim, eu passava grande parte do tempo do meu trabalho conversando com as pessoas que ali estavam. Não que eu fosse de ficar falando, mas quando não se tem o que fazer, geralmente a gente faz isso no tempo livre, uma vez que temos que ficar disponíveis caso o telefone toque.
Tinham umas duas ou três meninas daquele lugar que eu achava interessante pra tentar comer ou algo do tipo. Tomar um sorvete ou um porre de cachaça, quem sabe. Mas eu não me esforçava em nada pra conseguir alguma coisa com elas. Estava um pouco descrente do amor devido ao recente divórcio que eu havia passado menos de um ano antes. Acho que é um luto válido e que muitos passam.
Geralmente eu acordava às 14h, tomava café da manhã e começava a beber, ia bebendo durante o caminho pro trabalho e lá seguia bebendo, saia do trabalho, pegava metrô, trem e ônibus, chegava em casa por volta das 1h30 da manhã, começava a cheirar cocaína e a beber sem parar, ficava assistindo vídeos na internet de pessoas morrendo, primeiro eram os acidentes, depois pessoas sendo assassinadas a facadas, tiros ou pauladas, e por último desenvolvi uma estranha tara em assistir suicídios, eram suicídios de todos os tipos e jeitos, desde enforcamentos, tiros contra o crânio, envenenamentos, doses excessivas de medicamentos, cortes nos pulsos e nos pescoços, enfim, passava a madrugada toda trancado no quarto com as luzes apagadas, bebendo, usando cocaína e assistindo gente morrer. Não recomendo isso pra ninguém, hoje quase 10 anos depois disso, parei com a bebida, as drogas e evito assistir gente morrer. Até hoje eu acredito que sou fudido mentalmente por manter uma rotina dessa por meses, todos os dias sem exceção. Qualquer ser humano que faz isso perde a sua humanidade. E eu não sou diferente.
Um dia no trabalho a minha chefe "Maiden" (apelido dado a ela por ser muito fã da banda de metal Iron Maiden) me chamou pra conversar, era o meu primeiro feedback em quase dois meses de empresa. Eu sempre tive problemas pra ouvir críticas. Não seria fácil.
- Carlos - Ela começou - Seu trabalho está bom, mas tem algumas questões que precisam ser pontuadas. Vamos ouvir essa ligação.
Colocou uma ligação que atendi, escutamos e não parecia ter nada demais.
- Percebe que ali você deixou escapar uma gíria? Nesse outro ponto você levantou o tom de voz com o cliente? Essa informação que você passou foi errada.
Ela pontuou outras questões mas disse que no atendimento eu estava indo muito bem pro pouco tempo de empresa que tinha.
- Carlos, agora eu preciso dizer outra coisa pra você. Espero que você esteja pronto pra ouvir.
- Pode falar.
- Você precisa beber menos. Todos na empresa comentam. Eu sei que você tem bebida alcoolica na sua garrafinha.
- Não sei do que tá falando. - Respondi.
- Claro que sabe.
- Não sei não senhora.
- Escuta, todos percebem o seu cheiro, só você que não. A gente sabe que você trabalha bêbado.
- Eu bebo socialmente, Maiden. Nunca bebi no trabalho.
Ela pegou na minha mão, olhou bem fundo nos meus olhos e continuou.
- Aqui é seguro falar, pode se abrir comigo. Na empresa nós temos um setor que ajuda pessoas como você. Estamos dispostos a te ajudar.
- A senhora vai me perdoar, mas eu não tenho problema nenhum. Nem com bebida e nem com nada.
Tirei minha mão da dela. Ficamos em silêncio mais cinco segundos quando disparei.
- Posso ir embora agora?
- Pode ir, Carlos.
Voltei ao meu posto de trabalho e passei o dia todo com raiva dela e com raiva de mim mesmo. Não que eu achasse que tivesse algo errado, só me considerava diferente das outras pessoas, talvez até um retardado mental ou alguém com algum transtorno psicológico não diagnosticado, e que, naquele momento, não queria diagnosticar porra nenhuma. Queria mais é que tudo fosse pra casa do caralho.
Naquela semana eu chamei um amigo do trabalho pra beber depois do expediente. Miguel era um cara levemente alcoólatra, não como eu, mas ele me acompanhava bem nas doses. Também usava drogas de forma moderada. Havia recém se divorciado, era pai de uma menina de menos de um ano de idade. Mais da metade do pagamento dele era pra pagar pensão, então por isso ele trabalhava pra caralho e no fim das contas tinha pouco dinheiro pra ele. Não reclamava diretamente da filha, mas sim da ex mulher.
- Certeza que aquela puta tá saindo com outro cara e usando meu dinheiro pra bancar o rolê dos dois.
- Deixa de pensar nisso, meu parceiro - eu amenizava - vamos continuar bebendo. Se você ficar falando disso eu fico mal também.
- Carlos, mas pensa como é injusto. O certo seria eu dar as coisas pra bebê, não o dinheiro pra mãe.
- Miguel eu sei disso. Mas todos temos problemas. Não adianta você ficar choramingando nisso, não tem como mudar.
- Você tem razão. Melhor é continuar bebendo.
Passamos mais algumas horas entornando cervejas e doses de vodka de várias marcas. Fui ao banheiro, dei um teco e vomitei.
- Cara, eu pensei aqui numa piada.
- Que porra de piada, Carlos. Cê tá bem louco, isso sim.
- Sim, eu pensei numa piada.
- Qual piada? - Ele perguntou.
- Imagina só, eu tô aqui né, cansado da minha vida e tal. E se eu estourasse as minhas miolos?
- Minhas miolos? Não seria os meus miolos?
- Não, seria as minhas miolos - eu respondi - imagina se me jogo no trilho do trem agora, voltando pra casa, e explodisse meu crânio e minhas miolos.
- Seria uma sujeira do caralho, isso sim. Cala a boca, seu merda. Me passa o pó.
Dei cocaína pra ele, ele foi ao banheiro e voltou mais elétrico do que nunca.
Voltei pra casa e não me joguei no trilho do trem. Cheguei no meu quarto por volta das 7h da manhã. Estava de folga naquele dia. Não conseguia dormir. Tomei um banho, me masturbei e nada. Sai pra buscar uma garrafa e mais pó. Fiquei trancado no quarto o dia todo pensando onde eu chegaria na minha vida se continuasse daquele jeito. Assisti mais videos de gente morrendo e tive algumas ideias pra concretizar um suicídio. Dentro de menos de um ano após aquele dia eu iria tentar me matar oito vezes. Nenhuma com sucesso. Eu olhava nos olhos daquelas pessoas e sentia uma estranha paz habitando dentro delas. Uma pena que aquela paz não habitava em mim.
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2020.11.29 02:55 qe631iu632 Tenho medo/vergonha de beijar na boca.

Sim, eu tenho medo de beijar na boca, e isso me entristece muito, eu não sei por quê eu sinto esse medo, mas sei que ele me persegue faz anos, já perdi várias oportunidades de ficar com meninas que eu gostava por causa desse medo, já fui chamado dos mais diversos apelidos por quê recusava alguma garota, mas no fundo eu tinha essa vergonha de beija-la. Quando meus amigos sugerem "desenrolar" (essa palavra me causa calafrios) alguém pra mim, eu fico com uma ansiedade fodida, fico passando mal, minha pressão baixa e eu começo a suar.
É sempre a mesma coisa, eu começo a gostar de alguma garota, tomo a coragem de falar com ela, começamos a conversar mas não consigo tomar atitude, eu não sei o que é um clima "pré-beijo" e o que eu sei que mais me dá medo; o beijo.
Eu tenho um problema com aceitação social, detesto que alguém não goste de mim e tento sempre agradar a todos, e não é diferente nos beijos, eu tenho medo de beijar mal e ficar conhecido por não saber beijar, pode parecer extremamente ridículo, eu sei, mas é um negócio que eu piro muito e reconheço que não têm nem sentido me importar com isso, mas eu tenho trauma desses apelidos/rótulos. Acho que é a primeira vez que falo disso na vida, nenhum dos meus amigos mais próximos sabe que eu não fico com as garotas por quê tenho medo de beijar, eu sempre digo que eu tenho uma filosofia de vida ou meto mó caô, é foda viver numa mentira :(
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2020.11.29 01:57 algumamenina Me sentindo LIXO

Primeira vez aqui e estou cansada da vida. Me sinto a bosta do cavalo que foi pisada.
Me sinto uma inútil, estou três anos tentando conseguir um emprego e não consigo, quando fui demitida do meu emprego nem estava preocupada, achava que ia ser fácil, mas nada. Nesse meio tempo cai na conversa de parente que iriam me empregar para trabalhar num cargo bom na empresa deles e nada, agora me oferecem para limpar a casa deles e me tratam como lixo... A antiga empresa me ofereceu pra voltar, com cargo rebaixado e salário bem menor, ai eu não aceitei, na mesma hora a que era minha coordenadora já me bloqueou em tudo, depois disso parece que nada da mais certo, não tive mais nenhuma resposta positiva, mesmo que o salario fosse menor iria preferir do que voltar para o inferno que estava.
Me sentia mal no trabalho, sempre ouvia que eu era esquisita, na real sempre escutei isso na minha vida. Hoje vejo como era trouxa, ficava depois do horário, fazia o serviço dos outros, resolvia as buchas...
As entrevistas de emprego me deixam mais para baixo ainda, já quando chego sou analisada de cima a baixo, sempre desconfiam do que eu falo... me sinto sempre mal nas entrevistas, as vezes as entrevistas não duram nem um minuto, inventam que tem uma reunião e não podem me atender, ou finalizam dando alguma desculpa esfarrapada, ou quem resolve me entrevistar me faz sentir como se eu não fosse desse mundo. Já enviei meu cv para tudo que é lugar, ultimamente esta cada vez mais escasso as entrevistas...
Pra piorar eu tenho problema na coluna, já fui operada, não posso ficar sentada por muito tempo, não posso ficar muito tem em pé enfim, ta foda.
Amigos, não tenho nenhum, quando tu ta bem aparece vários, quando esta assim, não tem ninguém... entendo, é chato ter uma pessoa assim por perto... Família é só pra colocar mais para baixo também...
Tentei, vender algumas coisas que eu faço na internet e nada também, nem para tampar buraco.
Homens só se aproximam de mim só para aquilo, e olha que nem entro nesses sites e aplicativos...
Enfim, já tentei suicídio e não consegui, acho que nem para isso sou competente,
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2020.11.28 01:01 lobout Hoje caiu a ficha pra mim q todas as amizades q eu tive até pouco tempo atrás foram amizades tóxicas

Após quase um ano de terapia, cheguei a conclusão q as pessoas q por boa parte da minha vida eu considerei como amigos, foram amizades tóxicas. Agora eu entendo pq mesmo num ambiente onde eu era constantemente desrespeitado, eu continuava lá, eu era pressionado a ficar pq eles colocavam a ideia de que se eu deixasse de ser “amigo” deles, eu nunca encontraria amigo nenhum pq ninguém gostaria de mim.
Me sinto aliviado em descobrir isso, me dá uma paz saber q hoje eu não tenho mais relações com eles
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2020.11.28 00:00 altovaliriano O Stark em Winterfell - Bran e o Rei Pescador

Texto original: https://asoiaf.westeros.org/index.php?/topic/125401-the-winged-wolf-a-bran-stark-re-read-project-part-ii-asos-adwd/page/3/&tab=comments#comment-6823505
Autor: SacredOrderOfGreenMen / float-freely-forever
O texto abaixo é uma tradução.
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ASOIAF tem sido chamada de "uma carta de amor à democracia" pela forma como critica impiedosamente o feudalismo e a monarquia e por (aparentemente) não dar a nenhum rei um POV (apenas a duas rainhas), ao mesmo tempo em que apresenta todos os homens que são capazes de sentar no trono ou usar uma coroa como sendo, em última análise, indignos. Há Robert Baratheon, o Rei Devasso; seu sucessor, o rei Joffrey, cuja reivindicação foi baseada em uma mentira e mostrou-se ineficaz e inadequado ao papel de todas as formas possíveis; Viserys, o Rei Pedinte, seu pai Aerys, o Rei Louco e muitos outros. Renly, Stannis, Balon, Euron. Todos ficam aquém ou falham.
O feudalismo é exibido como uma ordem social inerentemente violenta, supérflua e repugnante em quase todos os aspectos. Todos os aspectos, exceto um: os Starks, e em particular a narrativa da realeza mágica que existe em torno de Bran.
"O Stark em Winterfell" é a encarnação do Rei Pescador em ASOIAF, uma figura lendária da mitologia inglesa e galesa que está espiritual e fisicamente conectado à terra, e cujas fortunas, boas e ruins, são espelhadas no reino. É uma história que, ao contar como o rei é mutilado e depois curado pelo poder divino, valida essa monarquia. O papel de "O Stark em Winterfell" é feito para ser o que seu criador, Brandon o Construtor, foi: uma fusão de opostos aparentes – homem e deus, rei e vidente verde, e o monólito que é seu assento é tanto castelo quanto árvore, uma "monstruosa árvore de pedra" (AGOT, Bran II).

"Era diferente quando havia um Stark em Winterfell"

Um ditado que existe na família é invocado por Ned e Catelyn em AGOT quando da viagem para o Sul: "Tem de haver um Stark em Winterfell sempre".
Por que? Quando falada, a frase é entoada, quase como um leigo medieval da Igreja Católica a repetir uma oração em latim, não entendendo completamente o que as palavras significam, mas sabendo que elas são importantes de alguma forma.
Outras Grandes Casas não vivem com essa restrição: Jon Arryn esteve ausente do Vale por grande parte de 14 anos, sem uma data clara para voltar [...]. Nestor Royce era seu regente. Um primo distante de Tywin Lannister, Damion, é deixado para governar, e ninguém parece particularmente preocupado que nenhum Lannister do ramo principal vivesse lá. Doran Martell prefere governar a partir dos Jardins de Água.
É o Liddle que Bran encontra nas montanhas do Norte que nos dá a razão mais clara e explícita do porquê sempre deve haver um Stark em Winterfell:
Quando havia um Stark em Winterfell, uma donzela podia percorrer a estrada do rei usando o vestido do dia de seu nome e nada sofrer, e os viajantes encontravam fogo, pão e sal em muitas estalagens e castros. Mas agora as noites são mais frias, e as portas estão fechadas. (ASOS, Bran II)
Até certo ponto, Bran também já havia articulado isto:
Já tinha idade suficiente para saber que não era realmente por ele que gritavam… Era a colheita que festejavam, Robb e suas vitórias, o senhor seu pai e o avô e todos os Stark desde há oito mil anos que aclamavam. Mas, mesmo assim, aquilo fez com que inchasse de orgulho. (ACOK, Bran III)
Quando há um Stark em Winterfell, a terra é pacífica e o povo não morre de fome. Ter um Stark em Winterfell é, por definição, ter uma boa senhoria. O fato de que os nortenhos dependem dos Starks para sua própria sobrevivência está implícito para muitos de seus vassalos, e muitas vezes são as Casas que traçam sua própria existência a eles que são os mais fanáticos em sua lealdade.
Lyanna Mormont, cuja Casa recebeu terras de Rodrik Stark raivosamente rejeita as exigências de Stannis por lealdade, escrevendo: "A Ilha dos Ursos não reconhece nenhum rei que não o Rei do Norte, cujo nome é STARK."
Outra jovem senhora do Norte, Wylla Manderly vocifera contra as mentiras de Freys sobre Robb e do desagravo (fingido) de seu pai: "os lobos nos acolheram, nos alimentaram e nos protegeram contra nossos inimigos. [...]. Em troca, juramos que seríamos sempre homens deles. Homens dos Stark!“ (ADWD, Davos III)
Bran nos diz em AGOT que, nos Clãs das Montanhas (entre outros), "quando a neve caísse e os ventos gelados uivassem do norte, [...] os agricultores deixariam seus campos congelados e fortificações distantes, carregariam suas carroça" e se refugiaram na vila de inverno de Winterfell. Quando os homens dos clãs dizem a Asha que eles preferem que seus "homens morram lutando pela garotinha de Ned do que sozinhos e famintos na neve, chorando lágrimas que vão congelar em suas bochechas" também é provável que estejam fazendo uma tentativa desesperada de recuperar seu refúgio.
Por conta da vila de inverno, ser o Stark em Winterfell é um cargo imensamente importante que não tem equivalente em nenhum outro lugar. Significa ser um governante prático que conhece seus súditos intimamente e que cuida deles quando o inverno chega – algo que eles recordam constantemente. Ned pratica isso em seu próprio governo em Winterfell:
O pai costumava dizer que um senhor devia comer com seus homens se esperava conservá-los. Arya um dia o ouviu dizer a Robb: “Conheça os homens que o seguem e deixe que eles o conheçam. Não peça aos seus homens para morrer por um estranho”. Em Winterfell, havia sempre um lugar extra à sua mesa, e todos os dias um homem diferente era convidado a juntar-se a eles. (ACOK, Arya II)
Na mitologia da Europa Ocidental, (tendo em conta que a Europa Ocidental é a principal inspiração de GRRM para Westeros), há um conjunto de lendas sobre o chamado Rei Pescador. O Rei Pescador, também conhecido como o Rei Mutilado ou Rei Ferido, contém dentro de sua linhagem o rei bretão Arthur e o rei galês Bran, o Abençoado.
Para os ingleses, o Rei Pescador é um dos guardiões do Santo Graal. Ele foi ferido ou mutilado e, como resultado, é infértil, e é sustentado apenas pelo poder do Graal. Por sua vez, sua terra se torna infértil e estéril também, e o único alimento possível ali é peixe, daí vem seu nome. Em algumas versões, o pai é o Rei Ferido e seu filho é o Pescador. O usuário do Tumblr theelliedoll analisa essa conexão, escrevendo em seu metatexto:
O sentido do Rei Pescador como um personagem mítico não é tanto as particularidades de seu caráter ou mesmo de sua lesão, mas o simples fato de que sua aflição (sexual) é transferida para suas terras. O mito pressupõe assim uma conexão mística, inextricável e empática entre rei e reino que exige do rei uma virilidade potente e generativa, e assim o mito funciona como a narrativa simbólica que articula uma ideologia dominante no poder [da Europa Medieval, a inspiração de Westeros para GRRM]. Essa ideologia de poder é a ideia da divindade do rei, que é em si inseparável das noções de herança e primogenitura.
O mito do Rei Pescador funciona então simplesmente como uma estratégia de legitimação da autoridade real e, consequentemente, de uma monarquia cada vez mais absolutista, percebida (e culturalmente representada) como a única forma imaginável de governo.
O Stark em Winterfell é o equivalente de ASOIAF ao Rei Pescador, cujas infortúnios pessoais são espelhadas na própria terra. Há pelo menos dois casos na história em que o Rei do Inverno é referido como "O Stark em Winterfell" [no Brasil, traduzidos como “Stark de Winterfell”]:
"O Stark de Winterfell queria a cabeça de Bael" (ACOK, Jon VI)
"O Stark de Winterfell teve de dar uma mão [para parar a rebelião na Patrulha da Noite]” – (ASOS, Jon VII)

"Ele é o jovem Rei Arthur" - GRRM, sobre Bran

Há um personagem, na narrativa, que é chamado por outros e chama-se Stark em Winterfell: Bran, filho de Lorde Eddard e Lady Catelyn:
Sou o príncipe. Sou o Stark em Winterfell.
É o Stark em Winterfell, e o herdeiro de Robb. Tem de parecer principesco – juntos, vestiram-no de forma condizente com um senhor.
Era um Stark em Winterfell, filho do seu pai e herdeiro do irmão e quase um homem-feito.
-(ACOK)
E que também detém os intimamente associados títulos de príncipe e herdeiro de Winterfell:
Ele era o Príncipe de Winterfell, filho de Eddard Stark, quase um homem-feito e, além disso, um warg
"também é o nosso príncipe, o filho de nosso senhor e o verdadeiro herdeiro de nosso rei" (Meera para Bran)
Jojen fitou-o comseus olhos verde-escuros. – Não há nada aqui que nos faça mal, Vossa Graça.
Ele é o nosso príncipe. -(Meera para Samwell Tarly)
De noite, todos os mantos são negros, Vossa Graça. -(Jojen para Bran)
A história de Bran também é muito semelhante à encarnação galesa do Rei Pescador: Bran, o Abençoado, que lutou contra um exército de guerreiros mortos-vivos (wights) que foram continuamente revividos por um caldeirão mágico (O Coração do Inverno). Seu meio-irmão, (Jon Snow) se esconde entre os mortos após uma batalha a fim de ser jogado no caldeirão (Jon, veja bem, poderia muito bem estar dentro de Fantasma, cujo nome foi a última palavra que ele falou, e a Patrulha da Noite poderia muito bem ter entrado em colapso agora, sem falar na própria Muralha) e ser capaz de destruí-lo , mas morre no processo. Ele tem um nome muito semelhante a um dos outros títulos do Rei Pescador: o Rei Ferido. A história o chama, e ele chama a si mesmo, repetidamente, de "quebrado".
apenas quebrado. Como eu, pensou.
Bran – ele falou, sem vontade. Bran, o Quebrado. – Brandon Stark. – O menino aleijado.
mas quem se casaria com um garoto quebrado como ele?
Através das brumas dos séculos, o garoto quebrado só podia observar.
O sofrimento de Bran por causa de sua mutilação e a própria Winterfell estar "quebrada" estabelece uma ligação empática entre rei e reino.
GRRM disse o seguinte de Tolkien, quem ele admira:
O Senhor dos Anéis tinha uma filosofia muito medieval: que se o rei fosse um bom homem, a terra prosperaria. Olhamos para a história real e não é assim tão simples. Tolkien pode dizer que Aragorn se tornou rei e reinou por cem anos, e ele foi sábio e bom. Mas Tolkien não faz a pergunta: qual era a política fiscal de Aragorn? Ele manteve um exército permanente? O que ele fazia em tempos de inundação e fome?
-GRRM também implicitamente fez a pergunta: Como os seres humanos, que são falhos e mortais, podem virar monarcas perfeitos, como o Rei Pescador deveria ser? A história de Bran, entrelaçada com a de seu antepassado Brandon, o Construtor, é sua resposta a essa pergunta. Desde o início, os Starks foram preparados pelos Deuses Antigos. A lenda westerosi diz que o Construtor teve a ajuda de gigantes, e usou a magia dos Filhos da Floresta para construir a Muralha. Quando Catelyn olha nos olhos da árvore-coração de Winterfell, ela pensa que eles são "mais velhos do que Winterfell. Se as lendas eram verdadeiras, tinham visto Brandon, o Construtor, assentar a primeira pedra; tinham visto as muralhas de granito do castelo crescer à sua volta. (AGOT, Catelyn I)
Jon Snow, outro que não é um Stark pela linha masculina, tem pesadelos em que as Criptas "não são seu lugar" e recusa a oferta de Stannis para ser o Senhor quando ele percebe, "o represeiro era o coração de Winterfell... mas para salvar o castelo, Jon teria de arrancar esse coração até suas antigas raízes e entregá-lo ao faminto deus de fogo da mulher vermelha. Não tenho o direito, pensou. Winterfell pertence aos deuses antigos" (ASOS, Jon XII)
Quando Rickon levou os Walders para as Criptas, Bran ficou furioso: "Você não tinha o direito! [...] Aquele lugar é nosso, dos Stark!
Não é por acaso que os contos sugerem que a árvore-coração, "o coração de Winterfell" é dito ter testemunhado o trabalho do Construtor. Na verdade, no Norte, a árvore-coração é usada como testemunha para votos de todos os tipos, incluindo casamentos e contratos. Ramsay e "Arya" dizem seus votos em frente a uma árvore-coração, e Jojen diz a Bran que os filhos da floresta não tinham "nem tinta, nem pergaminhos, nem linguagem escrita. Em vez disso, tinham as árvores, e os represeiros acima de tudo”.
Juntando o que aprendemos sobre a história da Casa Stark em O Mundo de Gelo e Fogo, pudemos ler como o crescimento de seu domínio não era só reflexo do crescimento de Winterfell "ao longo dos séculos como se fosse uma monstruosa árvore de pedra", mas que havia um propósito mais profundo para as guerras que eles travaram. Eles mataram o warg Gaven Greywolf na "Guerra dos Lobos" e o Rei Warg da Ponta do Dragão Marinho, matando seus vidente verdes e levando suas filhas como prêmios.
Estes podem ter sido os eventos históricos que levaram Haggon a dizer: "Ao sul da Muralha, os ajoelhadores nos caçariam e nos matariam como porcos..". Theon Stark, o Lobo Faminto, matou o Rei Marsh e casou-se com sua filha, e é comum rumores de que os crannogmanos se casaram com os Filhos da Floresta. Com base na visita de Howland à Ilha das Faces e ao status de Jojen como um sonhador verde podemos supor que eles têm estreitas conexões com a magia do Deuses Antigos, tenham se casado ou não.
A razão para essas guerras contra outros praticantes da magia do Norte remonta a Brandon o construtor, que eu vou supor também foi o Último Herói, uma vez que foram Winterfell e a Muralha que conseguiram alcançar o que o Último Herói estava determinada a fazer:
E assim, enquanto o frio e a morte enchiam a terra, o último herói decidiu procurar os filhos da floresta, na esperança de que sua antiga magia pudesse reconquistar aquilo que os exércitos dos homens tinham perdido.
Isso remonta a um grande pacto que ele fez com os Filhos há 8000 anos: em troca da ajuda mágica destes, de ser o único legítimo possuidor dessa magia, e ter o mandato para conquistar o Norte, o Construtor e seus descendentes dariam sacrifícios aos Deuses Antigos, preservariam seus represeiros e manteriam os Outros à distância. Todo o propósito do lema da Casa Stark é expresso em "O Inverno está Chegando". Não é um vanglória – como é comumente observado –, é algo mais. É uma justificativa para o direito deles de governar. Ao absorver a magia no sangue do Rei Warg e do Rei Marsh, os Reis do Inverno estavam agindo conforme o pacto. Assim como o Rei Pescador, ou seja, o Rei Arthur, protegeu o Santo Graal, também os Starks mantêm a árvore-coração, tirando dela poder e legitimidade.
É muito provável que o próprio Construtor tenha sido um vidente verde, fundindo-se com a árvore-coração como parte de seu pacto com os Deuses Antigos para se tornar o primeiro Stark em Winterfell. "Bran" significa "corvo" em galês e Corvo de Sangue diz a Bran que as mensagens foram enviadas por corvo entrando-se na pele deles:
Foram os cantores quem ensinaram aos Primeiros Homens a enviar mensagens por corvos... mas, naqueles dias, as aves podiam dizer as palavras. As árvores se lembram, mas os homens esquecem, então agora escrevem a mensagem em pergaminho e amarram em volta da perna da ave com quem nunca compartilharam a pele. (ADWD, Bran III)
Isso não é um acidente, pois GRRM afirmou que os nomes de seus personagens foram escolhidos com "uma boa quantidade de reflexão". Apenas dois indivíduos na narrativa tem a capacidade confirmada de entrar na pele de corvos, e ambos são vidente verdes. Dizem que os reis da Era dos Heróis – o Construtor entre eles – viveram por centenas de anos, exatamente o que os verdes fazem, usando os represeiros como uma espécie de aparelho de manutenção sobrenatural da vida na velhice. Jojen aprofunda nossa compreensão do papel dos represeiros quando diz:
Quando
[os cantores e vidente verdes]
morriam,
entravam na floresta,
em uma folha, um galho ou uma raiz,
e as árvores se lembravam
Todas as suas canções e feitiços, suas histórias e orações, tudo o que sabiam sobre esse mundo. Os cantores acreditam que os represeiros são os antigos deuses.
Quando cantores morrem, eles se tornam parte dessa divindade.
(ADWD, Bran III)
Se o Construtor era de fato um vidente verde, e a árvore-coração de Winterfell seu repouso final (lembre-se daquela lagoa preta bacana ao lado, que ninguém nunca tocou o fundo) – como há fortes evidências de que ele seria – então isso significa que a jornada de Brandon esteve, desde o início, sob o olhar direto de seu ancestral. Quando Bran fala pela primeira vez da árvore-coração, ele diz que "sempre o assustara; as árvores não deveriam ter olhos, pensava Bran, nem folhas que se parecessem com mãos”.
À medida que o preparo de Bran como herdeiro do Construtor continua, ele cai cada vez mais sob sua influência, atraído pelos represeiros cada vez mais, especialmente para a árvore-coração:
Bran sempre gostara do bosque sagrado, mesmo antes, mas nos últimos tempos achara-se cada vez mais atraído para lá. Até a árvore-coração já não o assustava como antes. Os profundos olhos vermelhos esculpidos no tronco claro ainda o observavam, mas, de algum modo, agora tirava conforto disso. Os deuses olhavam por ele, dizia a si mesmo, os deuses antigos, deuses dos Stark, dos Primeiros Homens e dos Filhos da Floresta, os deuses do seu pai. Sentia-se seguro à vista deles, e o profundo silêncio das árvores o ajudava a pensar. Bran passara a refletir muito desde a queda; a refletir, a sonhar e a falar com os deuses. (ACOK, Bran VI)
Era uma árvore estranha, mais esguia do que qualquer outro represeiro que Bran tivesse visto e desprovida de rosto, mas pelo menos fazia-o sentir que os deuses estavamali com ele (ASOS, Bran IV)
A árvore-coração em Winterfell viu a colocação da primeira pedra, e foi no Bosque Sagrado que Bran fez sua última escalada sobre as paredes de Winterfell. Verão notavelmente uivava com medo, como se sentindo que algo terrível estava prestes a acontecer do mesmo jeito que Vento Cinzento fizera nas Gêmeas:
Estava no meio da árvore, deslocando-se com facilidade de galho em galho, quando o lobo se pôs em pé e começou a uivar.
Bran olhou para baixo. O lobo calou-se, olhando-o através das fendas de seus olhos amarelos. Um estranho arrepio o atravessou, mas recomeçou a trepar. Uma vez mais o lobo uivou.
Quieto – gritou. – Senta. Fique. Você é pior que a minha mãe – os uivos seguiram Bran até o topo da árvore quando, por fim, saltou para o telhado do armeiro e para fora de vista.
Os Deuses Antigos (e Corvo de Sangue) estão fortemente implícitos em ter previsto seu destino, assim como Summer sentiu. Eles têm inteiramente a intenção de que ele desempenhará seu papel na saga e cumprirá o pacto, quer ele queira ou não:
– Muito dele se transformou em árvore – explicou a cantora que Meera chamava de Folha. – Ele viveu além de seu tempo mortal e, ainda assim, permanece aqui. Por nós, por você, pelos reinos dos homens. Apenas uma pequena força permanece em sua carne. Ele tem mil olhos e um, mas há muito para ver. Um dia, você saberá.
Observei-o por um longo tempo, observei-o com mil olhos e com um. Vi você nascer, e o senhor seu pai antes de você. Vi seus primeiros passos, ouvi sua primeira palavra, fiz parte de seu primeiro sonho. Estava observando quando caiu. E agora finalmente você veio até mim, Brandon Stark, embora a hora seja tardia.
(Bran II e III, ADWD)
A resposta da GRRM à pergunta "Como pode um mortal se tornar um rei perfeito?" é evidente na narrativa de Bran: Apenas tornando-se algo não completamente humano, tendo características divinas e imortais, como a um represeiro, fundidas em seu ser – e, portanto, tornando-se mais ou menos do que completamente humano, dependendo de sua perspectiva.
Este é o único tipo de monarquia ao qual GRRM confere legitimidade, do tipo onde o rei sofre em sua jornada e é quase desumanizado pelo bem de seu povo. O Último Herói (o Construtor) em sua busca pelos Filhos, viu todos os seus 12 companheiros morrerem. Jojen agora está perto da morte, e diz a Bran que:
[…] Terra e água, solo e pedra, carvalhos, olmos e salgueiros, estavam aqui antes de nós, e ainda permanecerão quando tivermos ido.
Assim como você – disse Meera. Aquilo entristeceu Bran. E se eu não quiser permanecer quando vocês se forem?, quase pergunto.-(Bran, ADWD)
Bran viverá mais que seus amigos, Meera e Jojen. Embora ele se reencontre com seus irmãos Arya, Sansa, Rickon e até mesmo Jon, e sua vida com eles seja feliz, Bran viverá mais do que eles também, e que seus filhos. Ele viverá mais que Nymeria, Cão Felpudo, Fantasma e até Verão. Corvo de Sangue lhe disse:
Tenho meus próprios fantasmas, Bran. Um irmão que amava, um irmão que odiava, uma mulher que desejava. Através das árvores, ainda os vejo, mas nenhuma de minhas palavras jamais os alcançou. O passado permanece no passado. (Bran, ADWD)
Através da árvore-coração de Winterfell, Bran será na velhice como Corvo de Sangue é agora, "meio cadáver e meio árvore, [...] parecia menos um homem do que uma sinistra estátua feita de madeira retorcida" e imerso nas memórias de uma infância feliz que está perdida para ele: Ele e Arya correndo brincando com espadas de gravetos no bosque sagrado; escalando as paredes de pedra enquanto Arya e Sansa têm uma luta com bolas de neve; o pai que se senta ao lado do fogo falando "suavemente da era dos heróis e das crianças da floresta"; uma mãe ordenando-lhe para descer antes que caia; ele, Jon e Robb treinando no pátio.
Perto do fim de sua vida, Bran não será tanto um ser humano. Mais como um veículo e canal das energias mágicas que são a fonte do poder da Casa Stark. Ele será um rei quando "nunca pediu para ser um príncipe", um vidente verde quando "era com a cavalaria que sempre sonhara": Ele será o Stark em Winterfell, preso ao lugar primeiro pela paralisação de suas pernas e sua ligação com o lobo gigante e as árvores, depois por sua ligação física com a própria árvore-coração.
Seja qual for a barganha faustiana que o Construtor fez para ajudar os Filhos, é claro que ele não apenas se ofereceu: ele ofereceu seus herdeiros. A jornada de Bran, seu preparo como Senhor, warg e agora vidente verde é processo que possivelmente levará milhares de anos em construção. O próprio Bran vê seu papel de Senhor, o Stark em Winterfell, como seu destino, sua única escolha:
Por que teria de desperdiçar seus dias ouvindo velhos falando de coisas que só compreendia parcialmente? Porque está enfraquecido, lembrou-lhe uma voz no seu interior. Um senhor na sua cadeira almofadada podia ser aleijado. [...] Mas um cavaleiro no seu corcel de batalha não podia. Além disso, era o seu dever. (ACOK, Bran II)
Depois que ele olhou profundamente para o Coração do Inverno, o Corvo de Três Olhos disse a ele: "Agora você sabe por que você deve viver... porque o inverno está chegando."

A Nova Era

A extensão da ajuda dos Cantores a Bran, Casa Stark e o reino traz à mente a pergunta: Por quê? Por que fariam isso? Eles vivem em uma caverna protegida, e estão à beira da extinção em qualquer caso, então o que importa para eles que a humanidade em Westeros possa ser dizimada? A Resposta está na previsão de Folha dos anos que estão por vir:
Foram para baixo da terra – Folha respondeu. – Nas pedras, dentro das árvores. Antes dos Primeiros Homens chegarem, toda esta terra que você chama de Westeros era nosso lar, e mesmo naqueles dias éramos poucos. Os deuses nos deram longas vidas, mas não grandes números, para não saturar o mundo, como os cervos saturariam a floresta se não existissem lobos para caçá-los. Aquela era a aurora dos dias, quando nosso sol estava nascendo. Agora ele se põe, e este é nosso longo minguar. Os gigantes estão quase desaparecidos também, eles que eram nossa perdição e nossos irmãos. Os grandes leões das montanhas do oeste foram mortos, os unicórnios se foram, os mamutes são apenas algumas centenas. Os lobos gigantes sobreviverão a todos nós, mas sua hora também chegará. No mundo que os homens fizeram, não há espaço para eles, ou para nós.
(Bran III, ADWD)
Folha está prevendo a morte de todas as raças mágicas e anciãs do mundo, até mesmo lobos gigantes. Dado que a magia dos represeiros inclui poderes de profecia, talvez ela esteja correta, talvez não. O que é relevante, no entanto, é o que não foi previsto que acabaria: os represeiros e os sacrifícios de sangue dados a eles são de onde vem magia de Westeros. Onde um assentamento humano declinou, os represeiros retornam, como Brienne descobriu nos Sussurros e Bran no Fortenoite. Ambos encontraram represeiros jovens, magros e sem rosto. A civilização ândala, que teme e queima madeiras selvagens, também está morrendo, a medida que o Sul entra em colapso por meio da violência e da fome.
A explicação está nos represeiro, e na ajuda a Bran e, por extensão, ao reino: os filhos pretendem que a humanidade seja herdeira da administração das árvores sagradas que guardam as almas de seus ancestrais e sua memória. A humanidade, ao contrário dos Cantores, se reproduz rapidamente, e qualquer que seja a origem exata dos Outros (seja como arma criada pelos Cantores que saiu pela culatra, ou como alguns teóricos sugerem, troca-peles que realizaram o que Varamyr não conseguiu fazer através de bebês masculinos como as oferendas de Craster, ou algo totalmente diferente), foi apenas com a chegada da humanidade que os Outros entraram para os registro histórico. Os Outros agem como uma ferramenta cósmica contra uma humanidade que esgotaria a terra como "como os cervos saturariam a floresta se não existissem lobos para caçá-los."
Os Outros são os lobos para caçar humanos, o gelo para trazer equilíbrio ao fogo. Os Starks em Winterfell agem como um dos guardiões desse equilíbrio, a tranca em um portão que mantém à distância um poder sombrio na terra, assim como os valirianos eram para o que estava nas profundezas das Quatorze Chamas. Eles manterão esse equilíbrio até que talvez eles, por sua vez, encontrem o mesmo destino que os Cantores e sejam substituídos por outro invasor de Essos. Não surpreeende que Winterfell pareça ter sido projetado tendo em mente a luta contra os Outros e suas criaturas.
Sugere-se que a Ordem Sagrada dos Homens Verdes tenha se combinado de alguma forma com a terra se analisarmos sua pele verde, aura mágica e a administração de um poderoso bosque de represeiros, e é certo que desempenharão algum papel neste projeto, embora ainda não esteja muito claro qual é esse papel, assim como os detalhes desse projeto.

Conclusão

Há uma relação entre as diferentes figuras míticas e as fontes de seu poder:
Em todo caso, há um esboço de força sobrenatural, e até mesmo divindade, na entidade que age como uma ponte entre presente e algo muito maior: Winterfell para o passado antigo, o represeiro para a divindade e o Santo Graal para o deus-criador cristão. A imagem do Rei Pescador em ASOIAF é criada a partir da fusão do papel do Rei do Inverno ao vidente verde, e, por sua vez, a de Winterfell à árvore-coração. Ela se baseia em uma série de enxertos entre seres diversos e distintos, como afirma este meta-texto:
Simbolicamente, o enxerto imagina a súbita junção de coisas diferentes - uma fusão que pode ser perturbadora ou transformadora. O enxerto representa não apenas uma prática horticultural, mas também uma forma de compreender as fronteiras permeáveis e produtivas entre eu e outros, humanos e não humanos, bem como as conexões entre passado, presente e futuro...
Talvez o mais importante, enxertando noções de primogenitura e ideias estritas de parentesco, introduzindo incerteza em distinções renascentistas entre alto e baixo, animais e plantas, humanos e não humanos.
O Stark em Winterfell por sua natureza é destinado a ser um vidente verde, e sua ligação com o castelo é inseparável de sua ligação com a árvore-coração. Através disso, por sua vez, Winterfell adquire o aspecto de uma árvore, assim como o represeiro tem aspectos de pedra. Cada um se torna como o outro, fundido em praticamente um ser, assim como o rei adquire qualidades de divindade e, no caso do Criador Cristão, o deus é pensado como um rei ("rei dos reis, que do teu trono olha para ti"). Winterfell, nunca se diz ter sido "construído" na narrativa. Em vez disso, "Milhares e milhares de anos antes, Brandon, o Construtor, erguera [raised] Winterfell e, segundo alguns diziam, a Muralha." -(AGOT, Bran IV). "Criar" [raise], da maneira que você "cria" uma criança ou cultura, é a maneira pela qual você lida com algo que é orgânico, vivo, com sensibilidade própria. Bran também nota que aqueles que "construíram" Winterfell "nem sequer tinham nivelado a terra; havia colinas e vales por trás dos muros de Winterfell”.
Winterfell é assimétrico e irregular, como as coisas vivas e orgânicas são. Esta imagem está fortemente impressa nela que se diz que "o edifício fora crescendo ao longo dos séculos como se fosse uma monstruosa árvore de pedra, com galhos nodosos, grossos e retorcidos, e raízes que se afundavam profundamente na terra." Cada um feito mais forte por essas relações, com o Stark em Winterfell servindo como um ducto humano.
Da mesma forma que Winterfell se torna como uma árvore, o represeiro tem aspectos de não ser de alguma forma do mundo de carne e osso. Um Blackwood observa sobre um represeiro: "Por mil anos não mostrou nem uma folha. Quando se passarem mais mil anos, ela se transformará em pedra, [...]. Represeiros não apodrecem”.
Muitas vezes na narrativa, a madeira é comparada com osso, liso e branco, e osso é um tecido do corpo que permanece muito tempo após a morte, separado da carne viva. O Construtor também está associado com Ponta Tempestade. "Uns diziam que os filhos da floresta o ajudaram a construí-lo, dando forma às pedras com magia; outros afirmavam que um garotinho lhe tinha dito o que fazer, um garoto que cresceria para se tornar Bran, o Construtor”. -(ACOK, Catelyn III)
Entender o Construtor como um Rei Pescador resolve muitas contradições na história história dele, especialmente a ideia de que um homem procurou por uma raça de seres que fizeram suas casas de madeira e folha para aprender a construir um castelo de pedra. Havia um propósito muito além do aprendizado; ele foi propor uma união: a civilização humana e a floresta primordial, para criar um monólito que é tanto castelo quanto árvore, governado por um homem que é rei e xamã. Como deveria ser. E como será, pelo único rei em Westeros que GRRM e sua história valorizam e honram:
Brandon Stark, o herdeiro de Winterfell, filho de Lorde Eddard e Lady Catelyn.
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2020.11.27 15:25 akiravitoria Medo do futuro, não sei mais o que fazer

Minha irmã tá indo se formar na faculdade de fisioterapia com uma bolsa 100% que ela conseguiu e provavelmente quando conseguir emprego vai parar de morar com a gente rapidinho. Meu pai trabalha consertando ar condicionado e atendendo pessoas em um hospital, considerando que ele está em dois empregos você pode imaginar que nenhum desses dois da muito dinheiro. E minha mãe, ah minha mãe... ela trabalha em contabilidade a anos (profissão que tá morrendo já), os clientes dela já diminuíram vinte vezes do que nos outros anos e o patrão dela provavelmente vai morrer em menos de dois anos visto as condições médicas dele, e eu sou uma adolescente transgenero não assumida, inútil, extremamente depressiva e fico fazendo minha mãe gastar o dinheiro dela em psicólogo e agora provavelmente até em psiquiatra, e minha mãe tem noção de tudo isso, ela tem noção de que o patrão dela em pouco tempo vai morrer, e que ela só completou o ensino médio e não lembra de nada de lá por causa de uma doença que deixa ela com a memória muito fraquinha (esses dias ela quase chorou pedindo pra mim pra eu começar a acompanhar ela na rua pq ela tem medo de do nada perder completamente a memória e ficar perdida na rua), ela sabe que quando o patrão dela morrer simplesmente fodeu, a gente vai ficar na miséria ou até quem sabe na rua, e por isso, apesar dela não falar explicitamente, ela abriu uma "empresa" com minha irmã de crochê e amigurumi e elas passam o dia inteiro fazendo com todo amor e carinho um monte de coisa com crochê na esperança de um futuro melhor onde isso dê sustento pra ela viver bem, porra cara elas compraram um manequim pra usar de modelo. Elas mandaram fazer um monte de etiqueta e cartão da empresa sob medida, e eu sei comigo mesma que ela só tá se dedicando tanto a isso e gastando tanto dinheiro pq essa é a aposta dela, é a última chance de garantir uma vida sem miséria e alegre, e é uma chance MUITO fraca, pois nossos únicos compradores são alguns parentes e amigos que compram meramente por pena e/ou pra apoiar o negócio, mas uma hora essas pessoas vão se cansar e vão parar de comprar, e aí? O que vai acontecer? Já era? Não quero dar muito detalhe mas minha vida pessoal individual por conta de um monte de problemas e traumas que me ocorreram eu vivo num constante "a esperança morreu?", minha psicóloga mesmo já me indicou pra um psiquiatra pra eu ir tratar a depressão, então eu já sou toda problemática sendo extremamente jovem e ainda tenho que lidar com tudo isso? Porra cara isso é muito injusto. Eu planejava começar a fazer minha transição de gênero com 23 anos mais ou menos, mas tô seriamente cogitando adiar ela BASTANTE e dedicar minha vida a trabalhar pra sustentar a gente, e não sei quantas pessoas transgenero estão lendo isso, mas passar tantos anos sabendo da própria identidade e não fazer nada a respeito é um pesadelo pior que o inferno, tenta só imaginar como vai ficar minha cabeça? Eu não sei mais o que fazer ou pensar, me parece tudo perdido
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2020.11.27 03:02 yukiyakui Me sinto indiferente, excluído e anti-social

Bom, talvez nem tão anti-social, mas excluído e indiferente, sim, eu me sinto dessa forma. Vou tentar dizer o meu desabafo de modo com que consigam entender, irei transparecer a minha honestidade e pra quem ler até o final, você tem a minha sincera gratidão. As coisas estão indo até que bem na minha vida, não tenho nenhum problema de saúde além de asma, minha família tenta ser unida o máximo que pode, meu pai já foi embora mas não me sinto abalado por isso, e bem, considero que vivo uma vida feliz, tirando o fato de...
Desde a infância quando ainda pequeno sempre fui uma criança quieta e calada, eu costumava ouvir muito as pessoas e escolhia ficar em silêncio, nunca entendi direito porque fui assim. O tempo passou e agora no final da minha adolescência continuo do mesmo jeito, exceto que agora tento ser mais conversativo, falar mais e dar a minha opinião sobre coisas.
Eu nunca tive muitos amigos, até hoje tenho poucos, mas tudo bem. O problema é que agora, tentando fazer novos amigos, tentando conhecer novas pessoas... Eu sinto que fracassei e ainda fracasso completamente. Eu adquiri um modo de conversar, um jeito de falar mais complexo. Eu simplesmente não gosto dos assuntos que a maioria das pessoas da minha idade gostam, na maioria das vezes eles não entendem o que estou falando ou me acham estranho pelo meu modo de conversar, dizem que sou "estranho", "seco" e "complexo" demais.
Sim, no fundo eu desejo ser "normal", mas simplesmente não consigo. Eu decidi fazer esse desabafo pois é a terceira vez que uma pessoa me ignora ou não aceita ser meu amigo(a) simplesmente pelo meu modo de falar, seja pela internet ou vida real. Me sinto indiferente, excluído e anti-social.
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2020.11.26 21:39 FunWithSkooma Ta foda caras, não consigo arrumar estagio algum

Eu comecei com faculdade de t.i aos 18 anos, e depois vi que aqui na minha cidade não daria certo, pois há poucas empresas desse ramo, e, a maioria só "contrata" gente amigo de colaborador de dentro da empresa.
Mudei para ADM, e sempre chove estagio pro curso, mas não consigo pegar NENHUM caras, NENHUM mesmo. Fui em uma entrevista onde foi uma ótima entrevista, e depois de quase 1 semana só recebi um "eliminado" no site do superestagios, nenhum feedback no que eu posso melhorar.
Pqp, não consigo pegar experiência pq nem estagio ta me chamando, e olha que meu currículo não é ruim. Tenho conhecimentos em T.I que vai desde redes básicas, a montagem e reparação e programação, inglês avançado e 5° período em ADM.
E sim, eu já peguei o meme de vaga de estagio pedindo EXPERIENCIA na área.
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2020.11.26 21:10 raimundoneto Tenho vontade de contratar uma garota de programa

Olá amigos. Ando passando por uma fase muito conturbada da minha vida, e acho que preciso conversar com alguém.
Eu não tenho uma vida financeira complicada. Embora esteja apenas no décimo período da faculdade de Direito, moro com meus pais e não tenho privação nenhuma. A ajuda que eles me dão serve muito bem para as minhas necessidades básicas e para comprar meus livros ─ que são praticamente a minha única extravagância, não sou pessoa de muitos enlevos.
Além dos meus pais, tenho uma namorada linda, que me dá apoio quando preciso dela, também está estudando (hoje tem um estágio remunerado e um emprego, que compensam a diferença de condições financeiras dos nossos pais) e contra quem eu não tenho nenhuma queixa. Estamos juntos há cinco anos, e não tivemos brigas sérias há pelo menos um ano, gozamos de um relacionamento muito bom.
No entanto, eu não consigo me sentir produtivo. De jeito nenhum. Tenho basicamente duas atividades pra fazer durante o dia: movimentar os processos que estão alocados pra mim no meu estágio (eu só tenho que abrir o programa do Tribunal e peticionar) e uns trabalhos que eu faço na faculdade pra conseguir uma grana por fora. O último que eu peguei foi um TCC sobre problemas que, em geral, as mulheres que cumprem pena enfrentam no sistema prisional.
Apesar de não ser muito serviço, eu estou há simplesmente duas semanas sem sequer olhar quantos processos há pra fazer na fila do estágio (mais de 300, com certeza). Quanto ao trabalho, já passei uma semana do prazo que me foi dado para entrega, eu nem sei mais se o cliente vai querer pagar por ele ainda.
Não sei o que acontece comigo, e já nem sei o que posso fazer para melhorar. Eu leio qualquer coisa que não tenha nenhuma relevância para meus trabalhos, mas não sou capaz de ler uma folha de artigo que sirva para concluir esse TCC que está mofando no meu computador; fiz diversas dissertações sobre diversos temas diferentes durante as duas últimas semanas (todas com finalidades meramente satisfativas, estão aí pela internet), mas não consigo criar vergonha na cara para abrir o programa do estágio para fazer algumas petições de duas páginas.
Antes eu culpava minhas primas pela minha baixa produtividade. Depois eu parei de morar com elas e passei a culpar a minha irmã. Agora eu estou na casa dos meus pais, que passam o dia inteiro trabalhando na loja e me deixam sozinho o dia inteiro, e eu já nem sei mais quem culpar senão a mim mesmo. Hoje eu terminei de ler o sétimo livro de uma coleção do Sherlock Holmes em oito volumes que comecei há menos de dois meses, e quando olhei para os livros empilhados sobre a minha mesa, pensei em tudo o que poderia ter feito enquanto estava perdendo tempo com aquilo. Talvez a minha fila pudesse estar em dias, entregado o TCC, fazendo outras coisas...
Ontem eu me senti cansado e pensei que se dormisse durante a tarde, poderia fazer tudo durante a noite e completar minhas tarefas até a manhã. No entanto, além de perder a tarde de trabalho, nada fiz durante a noite senão ler mais um livro inútil e dormir mais uma noite com a mesma sensação de ter perdido um dia inteiro. Minha vida tem se resumido a lamentar pelo que deixei de fazer sem ter forças para terminar.
Eu queria ter alguém para desabafar mas não quero contar para as pessoas próximas de mim. Meus pais são gente da melhor estirpe, tenho certeza que me escutariam muito bem se eu os procurasse, e digo o mesmo da minha namorada. Mas eles, todos os três, já passam tanto tempo trabalhando, que quando temos um tempo juntos nós saímos, comemos fora ou fazemos algo para desestressar, eu não me sinto à vontade para dar-lhes mais problemas quando eles estão em seus dias de folga.
Já pensei em procurar uma psicóloga, mas não me sinto à vontade para conversar com essa gente. Se tiver um psicólogo lendo este desabafo, por favor me perdoe, mas a mera sensação de estar sendo analisado, a ideia de outro ser humano vasculhando as entranhas da minha psiqué enquanto escreve seus relatórios técnicos bem-elaborados que trazem fatos sobre mim dos quais nem eu mesmo tenho conhecimento me causa repulsa, um mal-estar que me impede de responder mais do que um ou outro monossílabo.
A ideia mais sedutora que recorrentemente me retorna é a de procurar uma garota de programa, com quem eu possa falar sobre o que sinto sem o medo de ser julgado, ou de ter os fatos revelados sob conhecimento de pessoas próximas a mim. Durante todos esses cinco anos eu nunca traí a minha namorada, e nunca fiquei com outra garota que não fosse ela, por isso certamente algum amigo meu não negaria passar o contato de uma gp se eu pedisse, assim ele pensaria que eu estava transando e jamais descobriria as minhas intenções.
Naturalmente a questão é um tanto complexa, e um sentimento de dúvida paira sobre mim nesse instante, se é a coisa certa a se fazer. Receio que precise de encorajamento para tomar essa atitude, ou talvez de desencorajamento. Só sinto que eu não posso mais continuar vendo a vida passar por mim trancado neste quarto fingindo para o mundo lá fora que eu estou trabalhando enquanto minto para mim mesmo dizendo-me que um dia hei de trabalhar.
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2020.11.26 15:45 matheusfj Não ter amigos é um problema?

Bom dia pessoal, às vezes fico me perguntando se deveria ter amigos, eu não sou muito bom em fazer amizades pq gosto de estudar muito, eu tenho amigos, mas são virtuais, aqui na minha cidade mesmo, não tenho nenhum. Isso é um problema? As pessoas precisam fazer amizades? Obrigado.
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2020.11.26 04:41 neodymium-404 Tentando melhorar..

Desde sempre eu tive problemas de autoestima e timidez na escola, eu não sei falar direito e sempre tentava me esconder dos outros. O principal motivo disso é humilhações. Sempre sofri humilhação por parte dos professores e alunos, nunca fui aluno exemplar mas sempre gostei de estudar.
Eu tenho muito problema em estudar matemática por conta dessas humilhações, insisto que não me julguem por mais estranho que pareça, mas eu não consigo estudar matemática sem me lembrar das humilhações que os alunos e professores faziam contra mim por conta das minhas habilidades com a matéria, eu amo matemática e quero seguir carreira disso, mas só de começar a estudar eu sinto um aperto no coração, eu sei que eu não sou bom e isso me frustra tanto, não sei explicar, eu fico sem razão pra existir. Ano passado eu não conseguia assistir aula de matemática sem chorar ou ficar ansioso.
Gosto muito de astronomia e me sinto um completo fracasso, não consigo criar intimidade com os meus amigos pra desabafar com eles. Minha família sempre me demonizou também por conta dos meus interesses e comportamento, sou muito introvertido e quieto, eles me humilharam muito também em uma época onde não tinha internet na minha casa e eu era obrigado a ficar na casa dos meus parentes para ter acesso a conteúdo da escola.
Esse ano eu quero aprender mais sobre os assuntos que eu gosto e vou arrumar um jeito de me socializar mais, ler mais, de qualquer forma eu ainda sinto um vazio enorme no peito. Eu sei que eu vou viver com isso para sempre, nunca vou ser bom o suficiente e as pessoas gostam de jogar isso na minha cara. Arruinei meu relacionamento por causa da minha timidez, repeti de ano porque eu não consigo lidar com tudo isso, e eu não sei me cuidar direito, tenho olheiras e manchas escuras na pele, além de espinhas pelos braços e rosto mais os meus dentes tortos e mau-lavados, meu corpo dói frequentemente e fico tentando dormir por horas mas não caio no sono de jeito nenhum porque fico pensando nas coisas.
Desculpa se ficou confuso mas eu ando pensando em acabar com tudo, só queria desabafar, não sou bom com palavras.
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2020.11.26 01:22 flakeeight Descobri a diferença entre estar só e solidão

Na verdade eu sempre soube, mas nunca tinha sentido. É meu segundo desabafo aqui em dois dias e já peço desculpas desde já (?). Bom, eu não sei se é porque eu vou me mudar de cidade com o marido, se é porque minha família inteira não se fala, se é porque eu tenho olhado fotos da minha infância e me perguntado quando foi que eu perdi tudo aquilo, mas tá foda.
Eu me sinto totalmente sozinha no mundo, parece que eu tô no meio do mar e não tem nenhum pedacinho de terra a vista, tudo que eu tenho é um amontoado de memórias que sinto saudade, parece que eu perdi meu chão em algum momento. Eu tenho pessoas, mas essa solidão é diferente, é tipo ficar perdida. Eu sinto saudade dos meus pais juntos, do meu quarto de infância, de sair da minha antiga casa e ir pro centro da cidade encontrar os amigos, eu não to entendendo o que tá acontecendo, de verdade...
Eu to pensando seriamente em voltar pra terapia, eu pensei que tivesse bem resolvida, mas pelo visto, não...Se alguém já passou por isso ou pelo menos sabe o que é, me fala aqui. Tá foda, galera.
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2020.11.25 13:34 A_sgar Sem motivação pra continuar meus projetos.

Amo mt meus projetos pessoais, trato eles como meus lindos bebês (apesar de estarem no papel, kk). Mas por mais q eu ame as ideias, os roteiros e etc, simplesmente NN vem NENHUMA vontade divina de querer continuá-los, mas eu não pretendo abandoná-los. E o pior q nn tenho nenhum amigo pra me ajudar nem nada. Talvez eu esteja sem motivação pra continuar vivendo o dia a dia como eu tinha antes. Já me peguei ficando com sono repentino a tarde tudo pq eu nn tinha "nada" pra fazer. Talvez seja 2020 q esteja me fudendo, ficar o ano inteiro em casa me fez conversar ainda mais comigo mesmo, isso pq eu já conversava antes. Eu sla porra, só quero q esse ano acabe.
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2020.11.25 02:33 canseideviver Hoje conheci a pessoa que eu queria ser, e isso dilacerou minha alma

Sou designer gráfico freelancer, o que é um título bonito pra criador de site pra gente que não quer gastar demais com as empresas de renome mas ainda exige a mesma qualidade ou melhor. Só trabalho com isso porque não consigo coisa melhor, porque minha posição no mercado é apertada e não permite cobrar uma comissão justa (e ainda assim tenho recebido cada vez menos serviços). Em qualquer parâmetro eu sou um fracassado, sem educação, nenhuma expectativa de sair da casa dos pais, nenhum amigo próximo e nem companheiro. Enfim.
Também faço ilustrações. Comecei a me dedicar a isso só recentemente, então não sou nada bom, ainda nem posso me abrir pra comissões; mas estou progredindo devegar (devagarinho). Essa é uma coisa que me deixa muito contente, porque o amor por desenhar foi justamente o que me trouxe à 'carreira' que tenho hoje, e meu sonho sempre foi poder ser efetivamente um artista e poder viver disso.
O título da postagem já resume o que quero desabafar, mas pra contar tudo como aconteceu... hoje eu me deparei no instagram com um cara extraordinário: ele é um ilustrador famosinho, com 200k seguidores, e a arte dele é até difícil de descrever... porque nem é uma só coisa. O maluco tem vários estilos diferentes estabelecidos: uma postagem é tirinha fofa com o estilo tipo hora de aventura, e a próxima é retrado realista, e depois ele tá fazendo fanart de anime. É insano. Fiquei o dia inteiro me obcecando por esse indivíduo. Além disso tudo ele ainda é um levantador de peso grandalhão, faz lives no twitch, e no perfil pessoal dá pra ver como ele não perde tempo na vida.
E cara, fica impossível não me comparar. Eu tô aqui desenhando copos e frutas (muito mal inclusive). Caralho. Esse cara é seis anos mais novo do que eu e tá vivendo tanta coisa que eu sempre desejei, quase zerando a vida. Eu me sinto um desperdício de oxigênio. Hoje nem tive energia pra fazer uns exercícios de memória muscular e formas básicas, que eu tava cumprindo diariamente há semanas, porque só de segurar o lápis eu fico com vontade de chorar e furar meu pescoço.
Nem sei mais o que dizer, desculpa pelo melodrama.
submitted by canseideviver to desabafos [link] [comments]


2020.11.24 21:36 Charada-Brasileiro O que aprendi após o suicídio de minha mãe.

O casamento de meus pais foi planejado. Eu fui um filho planejado. Tudo já estava preparado. Até meu nome já estava decidido. Mas então, minha mãe cometeu suicídio ela sofria de depressão pós-parto, algo comum e tratável. Eu era apenas um bebê quando ela fez isso. Então cresci sem saber. O curioso é que sempre fui uma criança quieta. Por esse motivo era levado a psicólogos e fazia terapias ocupacionais. Nunca entendia o motivo e achava tudo aquilo uma brincadeira. Até onde eu sabia, minha mãe havia ficado doente e morreu. Não sei porque nunca quis detalhes.
O resultado foi uma infância tranquila com meus tios e avos, cresci numa vila de casas e tinha amigos. Quando tinha quase 18 anos de idade, precisei organizar minha documentação para o bendito serviço militar e ao mexer naqueles arquivos empoeirados em busca de certidão. Achei a certidão de óbito da minha mãe. O papel já amarelado, batido em máquina de datilografia. E na causa da morte tava lá:
"Auto disparo de projétil de arma de fogo na região craniana."
Faltou o chão, faltou o ar. Perguntei a minha avó e pela primeira vez vi ela assustada. Ela não sabia o que dizer coitada. Meu pai veio lá da casa dele ter uma conversa tensa comigo, não somos próximos. Contou todo o sofrimento que foi, que todo mundo se reuniu e decidiu não me contar até os 18 anos pra me preservar. Mas a validade tinha passado e deixaram pra lá achando que de alguma forma eu já soubesse. Fiquei muito mal, sai andando pela rua chorando. Com o tempo fui descobrindo que não só minha família mas o povo todo da vila, até gente mais nova que eu sabia. Sempre eu fui o filho da mulher que morreu, mas entendi que era o filho da mulher que se matou. Minha família sempre se sentiu culpada, principalmente meu pai que traiu minha mãe. Mas tudo isso já passou. Depois disso resolvi mudar, mudar minha atitude. Ser menos introvertido. Isso me rendeu boas e mas experiências. Mas a vida é curta...
As vezes me sinto triste. Em dia das mães e dia dos pais. Meu pai sempre foi distante e não é nenhum coitadinho também, e nem eu sou.
Edit: Por algum tempo realmente me questionei, se eu não tivesse nascido, tudo seria diferente. Meu pai estaria com ela, e ela estaria viva. Mas penso que como falei no início. Não eram meus planos. Então tenho tentado desde então viver da melhor forma.
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2020.11.24 19:34 G_a_b_z Preciso de conselhos de pessoas mais velhas.

Soube que pode ter menores de idade aqui, então vamos direto ao ponto. Vou fazer textão e sentar o dedo no teclado.
Recentemente venho me deparado com a adolescência (e eu não sei se isso é a famosa “fase” ou um problema mais sério) e isso vem mexendo comigo de uma maneira absurda ao ponto de ter crises.
Acredito que isso seja a sensação que todos nós sentimos ao sair da infância, saudade. Mas eu sinto que não aproveitei minha infância. Eu não tinha irmãos da mesma idade que eu, não tive amigos próximos, mal saia eu para brincar na rua (sai algumas vezes mas não muito). Eu era uma criança extrovertida e feliz.
Ao entrar na adolescência eu percebi que não fiz amizades nenhuma, ou seja eu passo dias e dias sozinhas sem conversar ou ter contato com alguém da minha idade, eu também não tenho habilidade nenhuma para conversas com ninguém da minha idade e isso fez com que eu não tivesse amigos nenhum na escola ou em qualquer ambiente social. E eu sinto que eu passo tanto tempo em casa (porque meus pais não me deixam sair) que eu não pude cultivar nenhuma amizade, eu não brinquei como eu queria, eu não curti a minha infância como eu queria, e sinto que por estar me sentindo triste pela minha infância, eu também estou perdendo minha adolescência.
Eu tenho casa com piscina, celular da moda, meus pais têm dinheiro,e eu até sou considerada uma “menina bonita” mas eu não tenho amigos, eu não tenho ninguém pra conversar. E eu também não consigo mais conversar, eu não me encaixo em nenhum grupo social, e parece que NINGUÉM da minha idade me entende. Algumas pessoas da minha idade já estão começando uma vida sexual e a frequentar festas adultas ( PRECOCE ), outros agem como crianças pequenas, e eu simplesmente não consigo levar uma conversa com ninguém, eu até consigo falar um pouquinho, mas logo acaba p interesse e eu continuo sem nenhum colega para jogar conversa fora.
Eu também não posso sair de casa, o que me faz passar muito tempo lendo ou mexendo no celular, e eu comecei a colecionar hábitos considerados “estranhos” ou “incomuns” para algumas pessoas da minha faixa etária.
É tão complicado essa coisa de fazer amigos, é tão estranho como as relações sociais são complexas (Se elas fossem fáceis, não existiria curso de sociologia). Parece que todo mundo recebeu um manual de como ser adolescente ou como fazer amigos e eu fui a única esquecida. Ah, eu tentei frequentar algumas festas (não festas adultas; aniversários de colegas de classe) e sai chorando, porque percebi que não dá.
Por isso eu sinto falta da minha infância e da criança extrovertidas e tagarela que eu era (tão tagarela que inventou 12 amigos imaginários para conversar). Sinto falta de chegar na escola e o maior luxo e ostentação era ter 2 reais para comprar balas, e a minha única preocupação era se eu ia chegar em casa a tempo de assistir meu desenho favorito. Eu sinto falta das coisas serem mais simples.
Pessoas mais velhas que eu, me digam que eu não vou ser a única e nem fui a única a passar por isso.
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2020.11.24 18:17 BlindEyeBill724 Sobre o Argumento Kalam

Bom dia a todos,
Freidenker postou uma tentativa de refutação ao argumento Kalam recentemente em https://www.reddit.com/ateismo_bcomments/jzuu2p/uma_refuta%C3%A7%C3%A3o_ao_argumento_ontol%C3%B3gico_kalam/, achei interessante comentar, não para iniciar uma discussão ou para ser impertinente, mas para esclarecer alguns pontos no pouco que consiga, de fato, um teísta não tem que, necessariamente, concordar com o argumento, em certo sentido concordo com Freidenker, então a postura é a mais amigável possível, mais ainda, devo dizer que o achei muito respeitoso, ainda mais dizendo que o que está fazendo é uma "tentativa", ele não trata o argumento como lixo, ainda que discorde, procede com cuidado, e demonstrando respeito o merece em dobro.

Sobre o Argumento Kalam

De fato, o argumento é realmente muito utilizado, me parece que sem conhecimento por parte dos teístas, como meus amigos sabem não acredito que argumentos filosóficos puros como o Kalam, mesmo se estivessem certos, podem ser usado na apologética (na defesa das religiões) com ateus¹, sem antes se faça uma análise das diferenças entre as cosmovisões clássica e a moderna. Parece-me que partem da premissa, o argumento é religioso, sou religioso, logo, devo defender o argumento. Isso é simplesmente falso, e assim que possível pretendo comentar outro argumento que eu acho não só fraco, mas simplesmente errado, falo da teoria do design inteligente (spoiler de um plot twist, a razão qual ela está errada é porque ela parte de pressupostos modernos, então também não é lá motivo de grande alegria por parte de meus amigos ateus) .
Pois bem, a exposição de Freidenker é exata:
Então, as premissas do argumento são a seguinte:
Premissa 1: Tudo que começou a existir tem uma causa
Premissa 2: O universo começou a existir
Conclusão: O universo tem uma causa
A primeira afirmação de Freidenker é, sem tirar nem por, o que eu acabei de dizer antes de ver seu post, comentei:
"Deus enquanto princípio, ninguém afirma que o Deus revelado do Cristianismo pode ser apreendido pela razão somente, isso é muito importante de ser distinguido, se a razão conseguisse apreende-lo perfeitamente e logicamente a Encarnação seria desnecessária, um religioso que tenta provar por lógica o Deus bíblico está simplesmente confuso."
Quanto a isso nem se pode dizer outra coisa. O mais é um erro, uma dificuldade em se distinguir as esferas da razão natural e da Revelação, um logicismo ou teologismo exacerbado no sentido em que diz Étienne Gilson².
Freidenker continua realizando sua crítica que não posso deixar de notar é a de um verdadeiro tomista! Não estou exagerando, podemos ler num artigo que pretendo logo traduzir do Prof.Edward Feser, um ponto muito semelhante, a mesma ressalva quanto ao uso de dados científicos (em http://edwardfeser.blogspot.com/2016/09/a-difficulty-for-craigs-kalam_2.html)
“Another reservation I have is that the argument, at least as Craig presents it, in my view puts way too much emphasis on results in modern scientific cosmology. As I have argued many times, the chief arguments for God’s existence rest not on empirical science but rather on deeper principles of metaphysics and philosophy of nature which cannot be overturned by – and indeed must be presupposed by – any possible empirical science. Heavy emphasis on current physical theory thus threatens to muddy the waters and to give the false impression that cosmological arguments stand or fall with what the physicists happen to be saying this week. (I have, of course, criticized contemporary design arguments on similar grounds.)”
"Outra reserva que eu tenho contra o argumento, ao menos da forma que Craig o apresenta, é que ele coloca muita ênfase nos resultados da cosmologia científica. Como eu argumentei muitas vezes, os principais argumentos quanto a existência de Deus não se fundamentam na ciência empírica mas em princípios mais profundos da metafísica e filosofia da natureza quais não podem ser suplantados- e realmente são pressupostos – de toda ciência empírica. Uma grande ênfase na teoria física corrente ameaça turvar as águas e dar uma falsa impressão de que os argumentos cosmológicos são verdadeiros ou falsos de acordo com o que a física nos disse na última semana. (Eu, é claro, critiquei os argumentos de design inteligente nas mesmas linhas).”
Quanto à continuação de Freidenker, ele toca num ponto muito interessante, eu nunca analisei as implicações filosóficas da lei da termodinâmica, o que eu acho fascinante, mas por hora posso pontuar somente o seguinte, a questão da eternidade ou não do mundo não tem uma relação direta com a existência de Deus, por exemplo, "o universo é eterno logo Deus não existe", como eu não sou versado nesse ponto, irei fazer minha as palavras do Prof.Feser,, seguindo as seguintes linhas de afirmações quais retirei de https://theosophical.wordpress.com/2012/06/11/is-postulating-an-eternal-god-explanatorily-equivalent-to-positing-an-eternal-universe/), irei omitir o texto inglês para não ficar tudo muito longo:
“Muitos ateus asseveram que um universo eterno é uma explanação equivalente a de um Deus Eterno. Por exemplo, Sagan uma vez perguntou, “Se nós dizemos que Deus sempre foi, por que não dar um passo e concluir que o universo sempre foi?”,. E recentemente dois proeminentes ateístas fizeram a mesma afirmação. Em seu novo livro, “O universo do nada”, Lawrence Krauss escreve, “A declaração da primeira causa deixa aberta a ques~tao, quem criou o Criador?” Afinal, qual é a diferença entre argumentar a favor de um criador eternamente existente versus um universo eternamente existente sem um” Victor Stenger concorda com Krauss:
“Krauss também descreve como a cosmologia agora sugere fortemente que um “multiverso” existe qual nosso universo é somente um membro. Mas o problema real não é de onde nosso universo particular veio mas de onde o multiverso veio. Essa questão tem uma resposta simples: o multiverso é eterno. Porque ele sempre foi ele não precisa ter vindo de algo.
E trazendo Deus para dentro da questão, alguém poderia perguntar: “Por que há um Deus ao invés do nada?” Uma vez que os teólogos asseveram que existe um Deus (oposto ao nada), eles não podem virar para um cosmologista e perguntar por que existe um universo (oposto ao nada). Eles afirmam que Deus é uma entidade necessária. Mas então, por que um universo sem Deus não pode ser uma entidade necessária?”
Eis o que diz Feser:
[~"No geral, a teologia filosófica clássica argumenta pela existe de uma causa primeiro do mundo- uma causa que não meramente se sucedeu não ter ela mesma uma causa (ao contrário de tudo mais que exista) mas uma que em princípio não precisa de um. Nada mais poderia oferecer uma explicação última do mundo.
As coisas do mundo podem mudar somente se existir algo que as mova ou atualiza tudo o mais sem a necessidade (e com efeito, sem mesmo a possibilidade) de ser ela mesma atualizada, precisamente por ela ser "pura atualidade". A mudança exige ultimamente um movedor imóvel e um "mudador" imutável. Tudo que é feito de partes só pode ser explicado pela referência à algo que combina as partes. Assim, a explicação última das coisas tem de ser simples e portanto sem a necessidade ou mesmo a possibilidade de ser "montado" para ser por outra coisa... Para Leibniz, a existência de qualquer coisa que é de algum modo contingente só pode ter sua origem em um ser absolutamente necessário.
Mas Krass simplesmente não consegue ver a diferença entre argumentar em favor de um criador eternamente existente versos um universo eternamente existente sem um. A diferença é que o universo muda enquanto o motor imóvel não, ou, como os neoplatônicos podem dizem, porque o universo é feito de partes enquanto o fundamento é absolutamente um, ou, como diz Leibniz, que o universo contingente enquanto Deus é absolutamente necessário.
Portanto, há uma razão de princípio porque Deus e não o universo deva ser considerado o término da explicação.
Alguém pode sensivelmente arguir que a existência de tal Deus não foi estabelecida. Eu penso que sim, mas isso é um tópico para outro dia. Entretanto, ninguém pode sensivelmente disputar que um imóvel, simples e necessário Deus do teísmo clássico, se ele existe, se diferenciaria de um mutável, composto, contingente universo que não requer para si nenhuma explicação."~]
É um problema de, dada a complexidade da análise de sua existência, negar de antemão qualquer essência e inteligibilidade ao conceito, o que torna todo o debate um simples diálogo entre gregos e baianos. Isso se manifesta em outros pontos, por exemplo:
-Conforme comentei numa conversa com Necro:
“Por exemplo, um exercício filosófico que sempre proponho é a reflexão sobre o significado da palavra existir na pergunta "Deus existe?", não podemos cometer um erro categorial, como dizia Husserl, não existe uma geometria dos leões nem uma embriologia dos quadrados, uma forma de existência meramente material é uma categoria contraditória com as próprias definições de Deus, se ele existir, por definição, não pode ser meramente material, pela sua definição mesma. A reflexão sobre o sentido que a existência tem de ter para que a pergunta faça sequer algum sentido levará à questões extremamente férteis, senão se tem uma dificuldade na formulação mesma da pergunta. Ironicamente, a afirmação "Deus não existe" é teologicamente correta, no sentido que a existência de Deus realmente não pode coincidir, realmente, com a forma de existência de todas as outras coisas, justamente por ser Princípio, etc.”
Analisar o sentido que a palavra "existir" tem que ter para que a pergunta "Deus existe?" faça sentido não é uma análise direta da existência de Deus, mas de sua essência. A análise da essência é o que é pressuposta para que as duas pessoas estejam falando da mesma coisa, a maioria dos ateus, partindo do pressuposto de que Deus não existe, sequer "perdem tempo" analisando sua essência, ainda que a análise da essência seja fundamental para a análise da existência. Acredito que a fenomenologia concordaria que, de certa forma, todos os conteúdos existentes na consciência são essências. A essência precede a existência na análise intelectual, um unicórnio tem uma "essência" ainda que não tenha "existência", nós sabemos que um unicórnio não existe não por uma análise de sua existência (pois isso implicaria o conhecimento real de todos os animais possíveis em todos os planetas possíveis em todos os tempos existentes), mas pela própria análise da essência nós sabemos que tiramos ele de nossa imaginação e que, portanto, é inexistente. Podemos dizer, no espírito da filosofia clássica, que a sensibilidade parte da existência para a essência, enquanto o intelecto puro da essência para a existência. Posso estar me prolongando demais nesse ponto, mas eu acho interessante porque nunca havia visto isso de forma tão clara para mim mesmo, se não conseguíssemos passar do existente à àquilo que lhe dá inteligibilidade, sua estrutura noética, não conseguiríamos entender o mundo, não conseguiríamos passar do fato de constatação da existência, da mais simples possível, não conseguiríamos superar o simples reconhecimento tácito, notemos, qualquer ser vivo possui algum grau desse reconhecimento tácito da consciência, possuindo uma relação ecológica com seu meio. Certo. Porém, se o humano não conseguisse passar da essência para a existência a inteligência se tornaria impossível igualmente, pois jamais poderíamos criar hipóteses propriamente, não teríamos o que testar e, novamente, a própria ciência, no sentido que se queira dar, se tornaria impossível, não conseguiríamos fazer nada com as essências abstraídas do reconhecimento tácito da existência.
Pois bem, outro ponto que me parece possível de se ponderar e que se relaciona com essa ausência de distinções quanto as essências, expressei da seguinte forma [e se refere às analogias que se fazem quanto a Deus e as criaturas míticas];
"1.2- Faço essa crítica das representações porque me parece um pouco de retórica tirar sarro das expressões religiosas, o que não me parece muito produtivo (é claro, os religiosos cometem os mesmos equívocos muitas vezes, não to aqui para dizer quem é concretamente o melhor), por exemplo, falar “e fosse Plutão, Hades e fossem os 12 deuses gregos”, acaba caindo numa confusão que eu penso ter esclarecido um pouco no parágrafo anterior, mas pelo menos é algo mais próximo da verdade, e isso um cristão pode facilmente admitir. Outro equívoco um pouco maior de representação é confundir a ideia de “Deus”, “deuses” com seres imaginários como unicórnios e dragões, ainda que exista algo de analogia sempre possível, pensar em “Deus”, “deuses” como categorias puramente imaginárias é um tanto confuso, a imaginação pura não tem nada a ver com toda essa discussão acerca do Princípio, do simbolismo, etc, nossa consciência tem uma certa “intencionalidade” [a discussão sobre intencionalidade é esclarecida pelo que falei a respeito da essência x existência], o que uma pessoa intenciona ao falar dos deuses não tem nada a ver com a intenção subjacente à uma pessoa que cria imagens arbitrárias em sua mente, claro, nenhum dos dois tem meios de prova empírica de acordo com o método científico, e por tomarem ambos nesse aspecto que partem do pressuposto que são iguais, mas isso é um pressuposto que na cosmovisão clássica soaria muito frágil."
"Como tudo começa a existir tem uma causa, se nada realmente começa a existir?" A formulação de Freidenker leva a outro ponto, a um fisicalismo eliminitivista, a realidade mesma seria a matéria, o mais seria uma espécie de ilusão dos sentidos e da consciência, num menage à trois entre o leitor, Parmênides e La Mettrie, tudo isso é muito interessante e peço desculpas porque me entreguei à escrita literária, o intuito não é ofender. Esse é um tema complexo que pretendo abordar posteriormente, mas acredito que no contexto dessa conversa já está claro que a coisa não é tão simples.
"Como podemos perguntar o que veio antes do tempo?" O tempo por si só é um assunto para outra hora (desculpas de novo). Mas devo dizer que o sentido que a eternidade tem quando aplicamos ao Princípio se diferencia da forma como nós o pensamos na perspectiva antropológica, veja, que algo tenha se desenrolado no tempo desde sempre e que vai durar para sempre não quer dizer a eternidade conforme compreendida na filosofia, ter sido sempre e ser para sempre dessa forma é um misto de "inascituridade" e "imortalidade", esse ser, que para não agredir tanto a língua portuguesa com inascituridade, ou seja, que não é nascituro, vou reduzir para "imortal" não é a mesma coisa que ser eterno, ser eterno, como estava explicando para meu amigo é como ser um ponto no meio de um círculo, ponto cujos raios vão, ao mesmo tempo, para todas as coisas, ele é Princípio, está no Princípio não no sentido de início do tempo (a modernidade que começou com essa ideia de que Deus pode ter criado tudo no começo e depois ido descansar). Como diz Boécio, Aeternitas igitur est interminabilis uitae tota simul et perfecta possessio, a "a posse total, simultânea e perfeita de uma vida interminável” , o destaque vai para a palavra simultânea, ademais, na metafísica clássica trabalhavam com diferentes formas de tempo, não só a que consideramos o temporal, mas a eternidade, e a eviternidade, não são só diferença quantitativas mas qualitativas.
"O júri ainda não se pronunciou se é correto dizer que o universo começou a existir", e é interessante notar que a questão está aberta mesmo para São Tomás de Aquino, que não contava com o método científico (não que o método científico tenha a voz última, é claro). Freidenker se aproxima de uma concepção singularista de causa (o debate, é claro, deveria passar sobre uma análise profunda sobre o conceito de causa) mas o que me chama a atenção é o pressuposto implícito de que a prova, necessariamente, tem de ser empírica ou mais precisamente de acordo com a concepção de experimento que a ciência usa, não critico a ciência, é claro, mas pontuo que esse é um pressuposto tipicamente moderno e que a análise da teoria do conhecimento clássica-medieval é fundamental para se entender porque os apologistas parecem tão insistentes, espero que eu não seja burro, já que sei que não sou mal intencionado. O special pleading se insere perfeitamente na forma qual o debate acontece hoje, tudo parece se reduzir à tentar desmascarar a falácia adversária, nomeá-la e vencer a batalha por W.O (Walkover), o argumento lógico é uma cereja raríssima de um bolo extraordinário, o duro da massa e o recheio é a dialética, chegar para vocês e dizer que estavam fazendo um petitio principii aqui e ali não ajudaria muito, ainda que eu devo concordar com o Necro que alguns "argumentos" religiosos bem merecem a navalha de Hitchens. O special pleading acontece porque não levamos em consideração a profunda diferença entre o weltanschauung (cosmovisão) clássico religioso e o moderno. Não adianta eu dizer que a matéria escura comete um special pleading, se faz parte de sua essência ser como é não posso dizer que sua existência é impossível, se possui inteligibilidade, o mesmo se aplica à Deus, o problema é que Deus, realmente, é o special pleading dos special pleading, não porque seja falacioso, porque ele é realmente, por definição, algo único, não só ontologicamente mas logicamente (as palavras que usamos para com ele, se consideramos sua essência, só podem ter um sentido diverso, o porquê disso só é alcançado se entendemos as grandes diferenças que separam o mundo moderno do pensamento antigo). Não acredito que toda a filosofia antiga que chegou com Aristóteles no Motor Imóvel, com Platão no Bem e com Plotino no Uno, é somente uma sequência de argumentos ad hoc para provar algo irracional, eles que inventaram o que chamamos de filosofia, o a priori de Deus não surgiu do a posteriori dos filodoxos.
Pois bem, espero ter acrescido algo, desculpe a extensão e o uso das palavras de Freidenker (e principalmente ao próprio), é útil tratar de questões concretas, me referindo à algo que está sendo efetivamente pensado, igualmente escrevo para esclarecer também a mim mesmo.
Um abraço para todos!
_____________________________________________________
¹Meu posicionamento pode ser encontrado em -> https://www.reddit.com/ApologeticaCrista/comments/jx3m63/uma_breve_introdu%C3%A7%C3%A3o_pessoal_%C3%A0_apolog%C3%A9tica_crist%C3%A3/
² Gilson encontra no teologismo a usurpação do papel da razão em detrimento da teologia, e no logicismo a tendência da lógica a suplantar a metafísica, como diz o Prof.Oleniski, qual admiro e cujo blog recomendo, "Seja o "Logicismo" de Abelardo, o "Teologismo" de Ockham, o "Matematismo" de Descartes, o "Fisicismo" de Kant ou o "Sociologismo" de Comte, todos esses "ismos" apresentam uma e a mesma estrutura, a submissão da filosofia, respectivamente, à Lógica, à Teologia, à Matemática, à Física e à Sociologia.", em http://oleniski.blogspot.com/2012/06/etienne-gilson-metafisica-conhecimento.html. Gilson também vê no catolicismo três famílias de autores, a família de Tertuliano, que se opõe a razão, e cujo exemplo próximo de nós pode ser encontrado no irracionalismo neopentecostal, a família de Agostinho, qual podemos aproximar daqueles que, tentando usar da lógica ainda partem de um pressuposto bem intencionado da fé, e a família tomista, que distingue a razão e a fé.
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2020.11.24 01:14 meninasolitaria13 Preciso de conselhos :(

Bom, eu estou um pouco nervosa escrevendo isso, já que é a primeira vez que eu escrevo coisas pessoais desse jeito pra um monte de pessoas que não conheço... Mas eu estou com muita vontade de desabafar, e já que não tenho ninguém pra fazer isso, aqui estou eu. (Desculpas se tiver alguns erros de português, estiver repetindo muitas coisas ou se eu não estiver fazendo sentido.)
Vou ser bem direta: me sinto sozinha e preguiçosa. E esse sentimento só piorou durante a quarentena.
Eu sempre fui assim, mas durante esse tempo que passei em casa só piorou. Já que eu não estou indo pra escola e só estou indo para um curso que eu estou fazendo, eu não tive muitas coisas pra fazer. Eu já não era uma garota muito ocupada, eu só ia pra escola e ficava em casa sozinha, esperando minha mãe chegar do trabalho. Mas já que as aulas acabaram, eu passo a maior parte do tempo sozinha.
Por causa disso, eu me 'apoio' nos meus amigos virtuais, já que na vida real, eu quase não tenho nenhum. O problema é que, diferente de mim, meus amigos tem o que fazer. Eles quase nunca aparecem, e quando eles estão online... Quase não prestam qualquer atenção pra mim. Eu sei que ninguém é obrigado a falar comigo, mas é errado querer pelo menos ter uma conversa?
Eu também não falo muito com a minha mãe, já que ela passa a maior parte do dia no trabalho. E quando ela chega, ela tá cansada, usa um pouco o celular e vai dormir. Eu até tento ter uma conversa, mas na maioria das vezes o assunto é "(Meu nome) vai fazer isso, vai fazer aquilo" o que é bem irritante.
Então, já que eu não tenho ninguém pra falar, eu tenho que ter alguma coisa pra fazer certo? Bem, sim e não. Eu tenho dever de casa, mas eu não sinto vontade de fazer eles. Isso me causou um pouco de problemas no curso, já que eu não estava entregando os trabalhos. Apenas recentemente que eu comecei a entrega-los direito. Tirando eles, eu não tenho muita coisa pra fazer. Só fico assistindo videos no YouTube ou jogando um jogo que baixei.
Eu estou cansada disso. Eu sempre vejo as pessoas se divertindo, conversando, vivendo a vida. Eu quero ter uma vida também, mas não tenho nada que me deixe com vontade viver.
E aí, o que eu faço? :(
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2020.11.23 06:30 pulldapill estou cansado de tudo

obs: o texto é grande, se não quiser, não perca seu tempo precioso
as vezes eu acho que eu não precisava existir, mas justamente isso que me faz pensar como seria simplesmente não existir, como seria não fazer parte de tudo isso.
mais medo que temos do desconhecido, tememos não entende-lo, e isso é um fato. sempre que eu penso em tudo que aconteceu/acontecerá antes e depois de mim, eu fico com muito medo. não quero ter que deixar tudo que eu fiz, tudo que eu sei, mas também não quero ficar aqui pra sempre, vendo tudo desabar, vendo as árvores queimarem, o clima mudar, a terra ficar cada vez mas quente, o mar engolindo os continentes, nada disso
eu tenho medo, muito mesmo, de tudo o que não aconteceu ainda e que pode ainda acontecer, tenho medo do universo, medo de asteróides, medo de estrelas, planetas orfãos, buracos negros. tenho medo dessas coisas que o ser humano sabe que irá inevitavelmente destruir toda a nossa evolução. Medo do nosso sol, medo da lua, medo das placas tectônicas e medo do oceano.
eu sinto que continuar todas essas coisas, toda essa rotina, é inutil, um dia tudo vai sumir, eu, a minha casa, a minha cidade, os meus amigos, por mais que nenhum deles não se importassem comigo, as garotas e os garotos que eu já conheci, e os mesmos que eu queria conhecer, e também os que eu nunca conhecerei.
eu tento ao máximo fingir que vai valer apena e ter uma vida normal mas, pra mim não há significado, o que me deixa totalmente sem esperança e confiança do que pode acontecer nos próximos anos, meses, semanas, dias, horas, minutos e segundos dessa minha vida única e distante de todo o resto.
não consigo conversar com alguma pessoa da minha escola por exemplo, que não me faça sentir um incomodo, todo mundo parece que tá apressado demais pra falar comigo, parece que todo mundo fala mais rápido só pra terminar a conversa logo e ir fazer o que realmente lhe diz respeito.
não me sinto relevante o suficiente pra tentar ter uma conversa direta com alguém, não quero passar por todo aquele desprezo que vem depois de eu tentar fazer algo e falhar miseravelmente
me sinto muito mal com tudo que está acontecendo. me colocaram nesse pedaço de terra que está girando por aí sem controle algum, para assistir quem e o que eu amo, perecer com o tempo, se decompor. mas eu não quero ter que assistir isso, eu quero parar mas não dá.
não me sinto bem com nada disso mas não quero atrapalhar quem está bem, não quero dar energias negativas pra ninguém, todo mundo sofre demais e eu não quero ser um motivo disso, queria ser a ajuda que todo mundo precisa, mas no final quem precisa de ajuda sou eu.
ultimamente venho me sentido meio deprimido com tudo que acontece no mundo e fico mais ainda por saber que eu não vou poder mudar nada disso.
me sinto feliz as vezes por estar esse mundo que se sente bem no meio de tantos problemas. mas eu a não aguento tudo isso, toda essa queimação na minha mente, toda a pressão sobre mim pra fazer algo bom pro mundo, todo o peso dos meus erros e, dos pedidos de ajuda que eu recusei por receio de atrapalhar ao invés de ajudar, tudo.
isso já tá demais pra mim, já deu, cansado de correr, cansado de me explicar, cansei
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2020.11.23 03:49 Cryroo Que dia horrível

Apenas mais um desabafo nesse sub Tive um dia horrível, nada deu certo. Do nada uns 2 gatos começaram a invadir minha casa, tenho 2 gatos e um dos meus fica interagindo com eles, PASSAM A NOITE INTEIRA MIANDO! eu já espantei eles mas não adianta de nada, tive uma noite horrível, estou cheio de trabalhos da faculdade para fazer, ia tirar o dia para isso mas já acordei tarde por conta dos gatos.
Meu PC tem um SSD e HD, e tipo, esse HD é bem velho e estava dando tela azul, então resolvi tirar ele, mas aí o PC não estava ligando ( o windows estava no ssd) ai fudeu, chamei meu amigo que manja de TI e nem ele entendeu, PERDI TUDO SALVO NO SSD, VOU TER QUE AINDA REINSTALAR TUDO DE NOVO, Ele foi pegar o pen drive de bot pra instalar o Windows de novo, mas deu um erro e ela estava meio ocupado então ele pediu pra tentar instalar esse bot em outro pen drive, fui em um amigo meu com Internet, peguei esse bot, fui tentar instalar e deu o mesmo erro, e ainda a porra do Pc deu tela azul, quer dizer que nem era o HD velho, VAI TOMAR NO CU, não instalei o windows e meu amigo vai vir aqui amanhã e provavelmente vou ter que mandar para um técnico e eu estou na porra do final de semestre atolado de trabalho e eu não consigo fazer porra nenhuma com esse celular de merda com o cabo de carregar zuado além dessa bosta já estar perdendo a vida útil. Agora eu estou deitado ouvindo de novo esses gatos filhos da puta que vieram da casa do caralho miar na porra da minha casa, estou nesse inferno de novo, agora não vou conseguir entregar porra nenhuma e vou reprovar na porra do meu primeiro semestre que ainda por cima é EAD esse caralho vai tomar no cu agora vou ter ficar colado na porra de uma tomada dos infernos com esse celular de merda, que se foda não vou entrar trabalho nenhum, GATOS ARROMBADOS VOU TACAR PEDRA QUE SE FODA QUERO MORRER VOU BATER UMA E FINGIR QUE VOU DORMIR PORQUE EU NÃO VOU CONSEGUIR AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
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2020.11.23 00:03 Born-Virus4908 Fiquei triste por uma coisa recentemente

Indo direto ao ponto, eu acabei perdendo minha conta do gmail, e consequentemente a minha do discord.
No caso, essa conta é onde eu falava com todos meus amigos, e por causa disso acabei perdendo contato com todo mundo, algo q me conforta é q pelo primeiro mês, em q eu ainda tinha essa conta eu acabei mandando todo q me mandava mensagem falar por outra conta, mas eu continuo pensando nisso
Eu fiquei até meio paranoico pensando se tem algm q até hoje ta tentando falar comigo por aquela conta, o negócio é q eu n tenho contato com quase nenhum deles por outros métodos, e tem alguns amigos lá que eu até tenho contato, mas eles não usam o meio, tipo skype.
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2020.11.22 21:40 AtlasB11 Não tenho mais amigos e aluguei uma namorada

Meu amigo de longa data me chutou em parte por problemas psicológicos dele e em parte defeitos meus. Não tenho nenhum outro amigo e desde pouco mais de seis meses atrás, comecei um acordo com uma garota que já conhecia. Essencialmente é um relacionamento sugar. Ela se esforça pra ser uma boa namorada e me agradar, eu ajudo ela com dinheiro. Apesar da situação, ela é uma garota maravilhosa em personalidade e valores e a melhor namorada que eu já tive, embora que a lista seja grande. Apesar disso, pelos problemas psicológicos e financeiros serem tão graves, ela é emocionalmente fechada e isso dificilmente vai mudar. Não tenho mais ninguém na minha vida, seja amigos ou outras garotas e comecei a ter medo de ter outras pessoas perto. Sei que posso confiar nessa garota, pois ela já provou ter morais incrivelmente sólidas, mas sinto uma desconfiança grande de todo mundo. Mesmo ela, por ser tão fechada, eventualmente deve ir embora, provavelmente mais cedo do que eu gostaria, pois a amo. Não sei se quero conselhos, não acho que dá pra consertar nada fazendo algo específico, mas eu literalmente não tenho ninguém pra desabafar disso
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